Qua 01/06/2011

Coincidência ou não, na semana do meio ambiente, uma equipe do Programa de Conservação do Gavião-real-PCGR do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) conseguiu fotografar, no dossel das florestas da Reserva Florestal Adolpho Ducke-Manaus, um filhote de gavião-real no ninho. Para conseguir fazer as primeiras imagens deste novo herdeiro da Reserva Ducke foram necessários dias e dias de escalada em diversas árvores do entorno distante do ninho e horas e horas de observação das atividades no ninho.

Olivier Jaudoin, escalador especialista em dossel de florestas tropicais, fotografou o filhote a 35 metros do chão. O ninho está construído em um angelim (Dinizia excelsa) com 45 m de altura e 7 m de circunferência a altura do peito, posicionado na segunda forquilha a 35 m do chão. Este é segundo ninho conhecido na Reserva Ducke.

O primeiro ninho cujo casal reproduziu um filhote em 2003 está localizado do outro lado da área que totaliza 10.072 ha. De lá pra cá outros filhotes foram fotografados por pesquisadores e funcionários em 2006, 2008 e em 2009 nas proximidades da sede da Reserva, porém o ninho não havia ainda sido encontrado, fato que ocorreu em março deste ano. De acordo com os registros de nidificação dos ninhos monitorados pelos pesquisadores do PCGR, um casal de gavião-real utiliza a mesma árvore nas diversas reproduções a cada dois ou três anos na qual apenas um filhote irá nascer. Este é o 61º que é monitorado pelo Programa de Conservação do Gavião-real no Brasil, incluindo ninhos nas florestas da Mata Atlântica, dois na Bahia e um no Espírito Santo e nas florestas do Cerrado, dois no Mato Grosso e um no Tocantins.

Há três meses o ninho foi mapeado pela equipe do PCGR e desde então vem sendo monitorado semanalmente por Biólogos bolsistas e técnicos do Programa. Em cada visita ao ninho, são registradas a movimentação dos adultos chegando ao ninho, anotando a direção de voo, o tempo de permanência no ninho e o tempo que fica longe dele, o tipo de interação entre os adultos, a frequência de vocalização dos adultos, além da coleta de vestígios de presas (ossos, unhas, penas e regurgitos) trazidas para o ninho pelos adultos, que eventualmente caem no chão após serem consumidos.

A pesquisa
A intenção é acompanhar o ciclo reprodutivo para descrever padrões de comportamento e cuidado parental do gavião-real. O filhote fotografado está com três semanas de vida e nesta idade o filhote recebe o cuidado dos pais, onde a fêmea permanece na árvore do ninho o dia inteiro sem perder de vista seu filhote, descendo para o ninho em momentos específicos e o macho traz comida para os dois, fêmea e filhote no ninho. O nascimento deste filhote é um indicativo de boa saúde da floresta e de que a Reserva Ducke está exercendo o seu papel de manutenção da biodiversidade Amazônica mesmo com a pressão do crescimento desordenado da cidade de Manaus. Motivo de comemoração exatamente na semana do meio ambiente.

Próximos passos para a conservação
O Programa de Conservação do Gavião-real deve fazer um documentário do desenvolvimento do filhote e comportamento do macho e da fêmea no cuidado com o filhote até ele abandonar o ninho, onde antes disso o filhote será marcado com dispositivos de marcação e monitoramento (anilhas, radio-transmissor VHF e satélite) que permitirão monitorar os movimentos do pequeno gavião-real na Reserva Ducke. Serão realizadas ainda atividades de sensibilização e educação ambiental nas escolas do entorno da Reserva Ducke e um concurso será realizado junto às escolas do entorno da Reserva para que as crianças escolham um nome para o filhote.

A Reserva Florestal Adolpho Ducke
Localizada no Km 26 da estrada Manaus-Itacoatiara (AM-010), a Reserva é o maior fragmento florestal urbano do mundo com 10.072 hectares e serve como suporte para todos os segmentos das pesquisas do Inpa e de outras instituições nacionais e internacionais. Por ser uma reserva típica de mata terra firme, vem sofrendo ultimamente, uma grande pressão do ser humano devido ao seu contato com a área urbana de Manaus.