O gavião-real habita as florestas da Amazônia, da Mata Atlântica e os enclaves florestais do Cerrado, e mantêm seus ninhos em lugares que vêm sendo ocupados por comunidades humanas. Diversas possibilidades prejudiciais para ambos podem advir deste contato, por isso, trabalhamos em prol da sensibilização ambiental por meio de algumas atividades de sensibilização ambiental destas populações visando a manutenção dos ninhos de gavião-real e consequente conservação da espécie na natureza.

As ações envolvem atividades lúdicas com crianças durante as Mostras de Ciências, visita as escolas de comunidades da área de atuação do Projeto, Festa do Gavião-real no Assentamento Gleba Vila Amazônia, Parintins-AM e a realização de concurso para nomear indivíduos de gavião-real marcados com dispositivos de identificação e monitoramento. As Mostras de Ciências tem como principal foco, a divulgação e a popularização da Ciência nas comunidades rurais onde há ninhos de gavião-real sendo monitorados. O formato do evento consiste em um dia de atividades onde um tema é trabalhado, direcionado as palestras e as oficinas para comunitários, produtores rurais, estudantes e interessados. Os estudantes devem montar trabalhos em grupos e apresentá-los durante a Feira de Ciências. As crianças participam de atividades lúdicas, com atividades de desenho, de pintura e de jogos relacionados a fauna, a flora e ao gavião-real. As comunidades próximas são convidadas a participar do evento. Os primeiros eventos (2004, 2005, 2006 e 2007) foram coordenados pela equipe do Programa, mas sempre com a atuação direta dos membros das comunidades na execução e na participação durante o evento. As edições seguintes (2008, 2009 e 2010) foram coordenadas pelas próprias comunidades e escolas interessadas em abrigar o evento.

 

Cartaz VII Mostra Ciências 2009.


Na Mata Atlântica, as atividades de educação ambiental envolvem desde o concurso para nomear indivíduos marcados na natureza e concursos de desenho, tais como o 2º Concurso de Desenho na semana da criança que teve como foco o gavião-real. Concurso Desenho
Desenho ganhador do 2º Concurso de Desenho
Desenho ganhador do 2º Concurso de Desenho promovido no entorno da
RPPN Estação Veracel. 2008.
 
Desenho ganhador do 2º Concurso de Desenho promovido no entorno da
RPPN Estação Veracel. 2008.

 
Concurso Nomeie um Gavião-real
Os concursos junto as crianças para nomear indivíduos (filhotes, subadultos e adultos) que receberam dispositivos de identificação e monitoramento no ninho ou foram devolvidos após reabilitação no entorno de comunidades rurais, é outra ferramenta utilizada pelo Programa para mobilizar e sensibilizar o público infanto-juvenil na conservação do gavião-real e das florestas.

Com o apoio das crianças de comunidades no entorno dos ninhos e da área onde foram devolvidos os indivíduos reabilitados, o Programa nomeou até hoje seis indivíduos na natureza.

Naruna, um filhote fêmea marcada no ninho em 2004, na comunidade Nova Esperança, Gleba Vila Amazônia, Parintins-AM. Apuama, um filhote fêmea marcado no ninho em 2007, na comunidade Santo Antônio-Murituba, Parintins-AM. Aweré, uma fêmea subadulta, marcada em cerimônia de apadrinhamento no INPA, Manaus, durante o V Amazonas Film Festival, após oito meses de reabilitação bem suscedida (2008) e devolvida as florestas da Granja do Rio Andirá, Barreirinha-AM. Apoema, uma fêmea subadulta, marcada em Manaus apos sete dias de reabilitação e devolvida em 2008 a Novo Aripuanã-AM.

Na Mata Atlântica, dois gaviões-reais também foram nomeados por crianças, Katumbayá (mãe da Mata), uma fêmea jovem devolvida à natureza em 2008 e Pakayheru, uma fêmea devolvida à natureza em 2009.

Cartaz Concurso Nomeie Gavião-real

 

Resultado concurso nomeie um gavião-real. Bahia. 2008.
Vencedor do Concurso Nomeie um Gavião-real na Mata Atlântica. 2008.

 

 

Cultura popular e o Gavião-real



Música do gavião-real
Autor: Chico da Silva

"Gavião-real é um animal,
predador cruel,
mergulho fatal,
garras afiadas nas caçadas,
a realeza pega presa na moral.

Voa gavião
vai caçar noutro chão
noutro céu,
noutro rio
vai se embora e volta não
voa voa.

Gavião-real é um animal,
predador cruel,
mergulho fatal,
garras afiadas nas caçadas,
a realeza pega presa na moral.

Deixa meu campo pro boi bonito
minha floresta pra minha tribo
deixa meu peixe
pra minha pesca
deixa a morena
pro meu coração.

 

 

A Festa do Gavião-real 

A Festa do Gavião-real criada em 2007 foi uma iniciativa da Comunidade São Sebastião-Quebra, no Assentamento Gleba Vila Amazônia, Parintins-AM, onde divulga da dança do gavião-real em todas as comunidades da região. A Festa do Gavião-real promovida a cada ano no mês de junho na comunidade de origem tem por objetivo promover um encontro sócio-cultural, enfatizando a tomada de consciência sobre o meio ambiente, a conservação do gavião-real e a sensibilização sobre a interação homem/natureza.

Além das apresentações culturais envolvendo dança e música durante a Festa do Gavião-real também ocorre um fórum ambiental com temas específicos escolhidos pela comunidade, concurso de poesias e desenhos com as crianças e a arrecadação de recursos financeiros para obras na comunidade.

 

 

Dança do Gavião-real
Alegria na floresta
Letra e música: Prof. Domingos de Oliveira Costa

Chegou à harmonia na floresta
Tudo é festa é só alegria, do céu se traduz um raio de luz.
Tem tanta terapia nessa festa
Nesse verde, nessa vastidão, no canto bonito que sai desse chão.
No chão molhado da serapilheira,
Faz brilhar nossa esperança, nossa água e a madeira
Ô, ô

No dossel da floresta tem um lindo animal
Um gigante respeitado, nosso gavião-real.
Voa, voa voa, voa, voa gavião-real
Voa nossa liberdade, nesse espaço magistral.
Quebra o nosso egoísmo, quebra gavião-real.
Requebra pra lá, requebra pra cá
Requebra pra frente, requebra pra trás
Voando, voando, voa gavião-real.
 

Dança do Gavião-real. Parintins-AM.

 

Prece da Harpia
Autor: Ulysses Carvalho Barbosa (funcionário INPA) - 1992

Minha musa da mata, minha santa inspiradora.
Conservai nossa floresta viva. Oh !
Grande ser caçador que voa por entre as galhadas
em busca de uma presa, não deixai que os inimigos
destruam esse teu santuário, lugar esse onde outrora
vivias livre de qualquer extinção.
Caçai pois aos homens que por ventura abusam de
sua ignorância ao insistir na destruição daquilo que
de mais belo existe em nossa floresta que és tu, oh !

Linda musa da mata.
 

 

Monumento ao Gavião-real
Artesão escultor: Irailton Derço Salgueiro

A comunidade do Independência, Assentamento Gleba Vila Amazônia em Parintins-AM idealizou em 2008 um monumento em homenagem o gavião-real, patrimônio natural daquela região.

O monumento encontra-se na estrada principal onde passam diariamente moradores e visitantes da região.

 

Monumento homenagem Gavião-real. Parintins-AM.

Turismo Sustentável

Uma parceria entre comunidades envolvidas na preservação do gavião-real é possível desenvolver atividades de turismo sustentável que valorizem a visita aos sítios de nidificação desta espécie. Experiência piloto na Amazônia brasileira está sendo realizada em parceria com a Heliconia Amazônia Turismo, sediada em Manaus, que organiza visitas aos ninhos acompanhadas por um membro de equipes que estudam e pesquisam nestes ninhos. Algumas atividades deste trabalho poderão fortalecer o turismo sustentável como alternativa econômica para comunitários:
• Divulgação a nível regional para que a sociedade valorize o patrimônio natural, ampliando os valores de manutenção de áreas nativas.
• Estabelecimento de um programa participativo das comunidades na proteção das árvores dos ninhos e vigia dos filhotes, com motivação de voluntários atuando como propagadores da importância do programa.
• Inserção de idéias que levem a mudança nos hábitos de caça de espécies ameaçadas, com base no conteúdo do material das palestras trazidas para vários setores da comunidade.
• Preservação e utilização racional de todos os recursos naturais em especial no caso de comunidades com presença de praias, através da parceria com o Projeto Pé-de-Pincha para manejo de quelônios.
• Estímulo e apoio à criação de Unidades de Conservação que poderão receber visitantes e atuar com ecoturismo.
• Melhoria da qualidade de vida da comunidade através de práticas de desenvolvimento sustentável e sensibilização ambiental.
• Estímulo a práticas agroecológicas, como sistemas agroflorestais que além de preservarem a paisagem, melhorem a renda e a alimentação da família, constituem atrativo turístico.
• Conservação do patrimônio histórico e arqueológico quando estes estiverem presentes na comunidade.
• Identificação de pontos de visita e trilhas ecológico-culturais, incluindo ninhos de gavião-real para que os próprios comunitários e os turistas possam conhecer melhor os recursos naturais da Vila Amazônia.